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ADMINISTRAÇÃO 2.0
Inovação nos processos e serviços da administração pública Web 2.0 permite centralizar informação dispersa A centralização de toda a informação que se encontrava dispersa pelos diversos organismos do Ministério do Trabalho e Imigração de Espanha foi um dos principais benefícios alcançados com a implementação do projecto Lince, conforme demonstrou o Chefe da Unidade Especializada de Segurança Social da Direcção Territorial da Inspecção Provincial de Trabalho e Segurança Social de Madrid, Gonzalo Núñez, durante o evento Administração 2.0, organizado pelo iGOV.
Depois de uma breve descrição daquelas que são as competências do Ministério do Trabalho e Imigração de Espanha e de alguns dados relativos à sua acção, Gonzalo Núñez deu a conhecer aos presentes o projecto Lince que, desde há quatro anos, tem vindo a fomentar a aplicação de ferramentas Web 2.0 com o intuito de melhorar a prestação de serviços e a relação com os cidadãos.
O Lince surge como uma resposta à necessidade de modernização do antigo sistema informático da Inspecção de Trabalho e Segurança Social, classificado pelo orador como «catastrófico», uma vez que era composto por «inúmeras pequenas aplicações inadequadas para responder às diferentes necessidades de informação, por equipamentos obsoletos e deficientes infra-estruturas de comunicação».
Para tal, procedeu-se à instalação de uma rede de fibra óptica, contratou-se um callcenter, criou-se o portal oficial e um fórum para partilha de conhecimentos entre inspectores, foram adquiridos novos equipamentos e redefiniram-se os módulos de reunião de informação, uniformizando-a.
Para o futuro, está já em vista, entre outras acções, a reuniformização dos relatórios, bem como a sua elaboração e distribuição através de meios em funcionamento offline.
Numa época em que as ferramentas Web 2.0 começam a ser, cada vez mais, um pilar da relação entre Administração Pública e cidadãos, António Mendes, Principal Business Consultant da Information Builders, exalta a emergência de valores associados à colaboração, comunidades e redes sociais, inovação aberta e disruptiva, simplicidade, experiência dos utilizadores, criação de valor em rede e por via de integração de tecnologia e de conhecimento de diferentes fontes.
Neste contexto, «o cidadão tem grandes expectativas em relação à Administração Pública, em alguns casos até excessivas, e os serviços não têm outro remédio senão corresponder às mesmas». Respostas rápidas e fiáveis e circulação de informação de forma virtual foram identificadas como algumas das exigências demandadas pelos utilizadores.
António Mendes acredita que o recurso a estratégias de Business Intelligence será um dos meios mais adequados para alcançar tais pretensões, nomeadamente através da implementação de acções e planos estratégicos, integração de diferentes fontes de informação e tecnologia, aplicações que facilitem a colaboração, participação e partilha com os parceiros e o público de informação útil.
Funcionários devem usar Web 2.0 no trabalho
Os governos não devem adoptar uma postura demasiado protectora em relação às informações veiculadas através da Internet, nem proibir os funcionários de utilizar ferramentas Web 2.0 no local de trabalho, afirmou David Osimo, presidente da Tech4i2, durante a conferência Administração 2.0, realizada hoje, em Lisboa, pelo iGOV.
Segundo o orador, os governos devem disponibilizar o acesso à informação, permitindo a sua «manipulação» por parte dos utilizadores. Por outro lado, David Osimo defendeu que os funcionários públicos não devem ser proibidos de aceder a ferramentas Web2.0, tal como os portais Facebook ou YouTube , visto serem métodos de aprendizagem e consequente combate à info-exlcusão.
A promoção da participação activa no sector público deve ser outra das atitudes empreendidas pelas entidades governamentais, de onde resultará também o incentivo à literacia digital. Tal poderá ser conseguido mediante a realização de concursos públicos ou atribuição de prémios, entre outras iniciativas.
No entanto, para David Osimo quando se fala em Web 2.0 na Administração Pública o que está em causa «não é apenas a relação com os cidadãos, mas sim plataformas com influência no frontoffice e backoffice»
Neste domínio, apresentou alguns casos que considera exemplares na utilização destas tecnologias. Refira-se então o portal PatientOpinion , uma espécie de Wikipédia , onde os utentes das unidades hospitalares do Reino Unido «depositam» os seus comentários sobre a qualidade do atendimento.
Assim, o orador exalta a importância da Web 2.0 ao dispor dos serviços públicos, com base em argumentos que reportam à utilização que os jovens de hoje, que serão os funcionários de amanhã, já fazem destas ferramentas.
Todavia, factores como a economia de custos, o poder da visualização, a redução das assimetrias no acesso à informação ou ainda a partilha de experiências/conhecimentos entre cidadãos são outros dos motivos que levam o prelector a exaltar os benefícios alcançados pela adopção da Administração Web 2.0.
Serviços públicos online em crescimento
Empresa Online, Certidão Permanente, Publicações Online, Informação Empresarial Simplificada, Automóvel Online são alguns dos vários serviços disponibilizados pelo Ministério da Justiça , no âmbito da modernização administrativa, apresentados por Luís Goes Pinheiro, Presidente do Conselho Directivo do Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça (ITIJ), num painel dedicado aos casos portugueses que fazem a Administração 2.0.
Em alguns dados divulgados à audiência, o orador fez saber que, até 28 de Fevereiro, foram apresentados mais de 327 mil pedidos de registo ou apreensão de automóveis por via electrónica, realizaram-se mais de cinco mil actos de registo predial online, foram entregues cerca de 1,5 milhões de requerimentos e peças processuais através do programa Citius e constituídas 4 403 Empresas Online (cerca de 20 por dia).
Na dianteira da evolução dos serviços públicos rumo a uma estratégia de Administração 2.0 está a Agência para a Modernização Administrativa (AMA). Anabela Pedroso, Presidente da AMA, destacou os novos paradigmas que se colocam à Administração Pública, onde se inserem um novo tipo de funcionários, que devem receber formação que lhes permita utilizar a Web 2.0 com naturalidade. No entanto, Anabela Pedroso ressalva que «não basta colocar a tecnologia na velha Administração. É preciso usá-la para a transformar» e, na sua opinião, a mudança prende-se com aquilo que os cidadãos esperam da Administração Pública.
Caso de sucesso em Portugal é também o SIG da Câmara Municipal do Seixal . Implementado em 2001, no início do ano passado o Web-SIG municipal sofreu uma reestruturação que possibilitou a partilha de informação, articulação entre as diversas fontes e inteligência colectiva, conforme revelou Cláudia Pinto, Directora do Projecto Municipal do SIG da Câmara do Seixal.
Actualmente, o projecto é constituído por cinco sites com informações acessíveis à população (Mapa do Concelho, Demografia, Ordenamento/Gestão do território, Saúde e Marcaponto) e cerca de 20 portais de acesso restrito para apoio a processos específicos (Carta Desportiva, Protecção Civil, Emissão de Plantas de Localização, etc.).
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